sábado, 10 de abril de 2021

A JUSTIÇA NA MARQUESA

Vou escrever sobre a dita Operação Marquês e da decisão instrutória ontem lida pelo respectivo juiz, a qual terá penado 7 anos, tal como Jacob  serviu Labão para conquistar Raquel em vez de Lia. Ou ainda, no campo das conjecturas e por se tratar de uso de vestuário escuro, com o atraso de 7 anos equivalente ao tempo de azar a quem mate um gato preto.

Os livros de Direito não devem ter a mesma leitura para todos; ou, pelo que me parece, devem vir impressos com uma escrita figurada, que não pode ser lida por qualquer letrado. Talvez um decifrador de hieróglifos como François Champollion, aquele que conseguiu ler nas cobras, olhos e passarada, a indecifrável Pedra da Roseta (Roseta que nada tem a ver com Rosa). Talvez seja em alfabeto tebano ou etrusco, coisa que só se aprende ao poder de muita persistência nas respectivas Faculdades.

Como é evidente, não cabe a um leigo como eu, comentar se foi bem ou mal decidido o que foi decidido, pelo que não irão ler sobre isso e podem parar a leitura por este parágrafo.

No entanto, não deixo de ficar perplexo com tanta queda no que toca aos crimes imputados e às prescrições apontadas segundo a ordem do calendário do Direito.

E mais. Ao ouvir ler o arrazoado judicial, fiquei na dúvida se o arguido não seria o Ministério Público em vez de Sócrates e companhia.

Tenho para mim que entre juízes e magistrados há uma surda animosidade e concorrência, tal como entre os vários ramos das forças armadas. E a Justiça perde com isso. E a Justiça perdendo com isso, perdemos nós todos.

Não foi a Justiça que se ocupou da Operação Marquês; a própria Justiça é que se deitou na marquesa - está doente.

quarta-feira, 31 de março de 2021

DE CADETE A ALMIRANTE

Vou desde já avisar que não percebo nada de 5G, porque tanto me parece aplicado às ondas de propagação na internet em dispositivos móveis, como me confunde com a unidade de aceleração ligada à vibração e ressonância dos tecidos dos organismos, como constatam alguns (poucos) pilotos da aviação. 

Se a força gravitacional quase faz sair pelo escape os submetidos a ela, as ondas da internet entram com a maior das descortesias pelos buracos das fechaduras. Ora, com tal poder de penetração, naturalmente também penetram na política sem senha de atendimento. Se uma se aplica a quem circula a uma velocidade supersónica, a outra circula por si a uma ainda maior velocidade; mais ainda, sem o pagamento do imposto único de circulação (cujo nome é um eufemismo, porque não é o único imposto para quem circula), e sem a obrigatoriedade de coletes reflectores, triângulos de sinalização e do seguro em dia.

Também não percebo nada de ANACOM, acrónimo que reporta para a autoridade reguladora em Portugal das comunicações postais e das comunicações electrónicas, e não, como me pareceu a princípio, para aquela cobra gigante das Américas, com lautas jantaradas digestivas, lá chamada anaconda.

Também nunca estive na Marinha, mas sei que um cadete não é o mesmo que um almirante e vice-versa. 

Serve isto para dizer que me parece que na tal ANACOM, qual navio de guerra em alto mar, quem manda e desmanda é um apelido Cadete que faz as vezes de Almirante. O certo é que leva o barco para onde determina mandar, faz ouvidos moucos à concorrência do 5G e, pelo que li hoje, nem respeita as ordens de um tribunal.

Se o dito senhor - metaforicamente falando - subiu de cadete a almirante ou se foi despromovido de almirante a cadete, isso não conta para o caso, porque quem decide é ele. E o resto é conversa...

sábado, 27 de março de 2021

BANCO NOVO, VÍCIOS VELHOS

 

Há tanto tempo a ser chamado “Novo”, que aquele banco não parece querer chegar a “Velho”. Parece-me que não consegue ganhar imunidade financeira, apesar da vacinação para a frente e em força a que tem sido beneficiado; algumas das vacinas em doses de cavalo, que entram ali e parece entrarem em saco roto.

Segundo a crença, haverá uma solução: colocar o cofre do banco na base de um arco-íris, porque se acredita que este enche de ouro todo o recipiente que aí for colocado. Se calha, será um Banco Magro ou um Banco Roto, embora a primeira comparação me faça lembrar o sonho do faraó do Egipto, que dormia como um justo, que não era, e sonhou que estando em pé junto das margens do Nilo, saíram do rio sete vacas gordas e sete vacas magras. Por incrível que pareça, no sonho do faraó as magras comeram as gordas e, possivelmente ficaram tão gordas como a refeição.

Por este andar, no sonho da Economia, para esta vaca magra não haverá vagas gordas que cheguem.

quinta-feira, 25 de março de 2021

PARA TURISTA (NÃO) VER

   

Ouvi um amigo falar sobre isto e não acreditei. Como o dito S. Tomé, só cri quando li e, quando li, como o grilo, fiz cri-cri.

Segundo a mentalidade governativa, os cidadãos residentes no País estão sujeitos à permanência e inibidos de circular entre concelhos no período restritivo correspondente à Páscoa. Concordo. Porém, se o cidadão residir ou trabalhar no estrangeiro ou vier em turismo, já se pode deslocar para chegar aos hotéis ou outro tipo de alojamento. Pela Economia, até concordo. Mas...Vejamos:

Qual a diferença entre residir no território "à beira mar plantado" (como se fosse uma couve troncha), ficar no cercado concelhio sem pôr um pé de fora, ou vir de fora transplantado, com carta branca para ficar nos hotéis? Quer dizer que o turista vem a Portugal para se encerrar num hotel? A fazer o quê? A admirar a paisagem com uns binóculos  e a tomar duche numa banheira de água lusa?  

Estou a imaginar um turista, pronto a carregar a memória do telemóvel com fotos e selfies, a ficar entre quatro paredes e a fazer uma perninha de quatro para jogarem scrabble ou simplesmente, a solo, a preencher palavras cruzadas em português ou às voltas com o portátil para moer a paciência no freecell.

O lado positivo para os residentes "aqui", é pensarem que menos circularão os amigos do alheio (se não os tiverem no concelho), que deambulam entre territórios do mapa judiciário português com o mesmo descaramento com que se vai da sala à cozinha. No entanto, os "assaltos" ao pagode não ficam em confinamento, que o digam as taxas, ivas, imis, alcavalas, coimas e portagens, que entram mesmo com as portas trancadas.

Ainda há-de aparecer uma cabeça pensadora para arranjar salvos-condutos de investigação etnográfica, para poderem circular entre concelhos à cata do tradicional; para ser mais exacto, em busca de lobisomens e mouras encantadas, porque me parece que cada vez há mais.


terça-feira, 23 de março de 2021

OS ENGENHEIROS FISCAIS

A EDP terá ao seu serviço aqueles engenheiros que se ocupam da produção e cortes de energia, bem como das fugas que a dita possa ser submetida por malabarismos de terceiros. Também conta, no entanto, com engenheiros fiscais, daqueles que se  ocupam da produção de rendimentos para a empresa e, ao contrário de se livrarem dos que furtam energia, eles próprios de preparam para a empresa se furtar a obrigações e livrar-se dos impostos do Estado.

Com o beneplácito ou apoio da lei e do último Orçamento de Estado, nos buracos que se preparam para estes casos de graúdos, o certo é que uns milhões (110 milhões, só à vista) deixaram de entrar no Erário Público, onde o pagante contribuinte vê entrar legitimamente os seus impostos.

Em causa está o imposto de selo pela venda de seis barragens no Douro, retirado da tributação por uma manobra engenhosa que aproveitou uma abertura feita pelo Orçamento na barragem da tributação fiscal.

As engenhocas no papel e no excel levaram a uma cisão de activos para uma empresa "à maneira" controlada pelos mesmos engenheiros financeiros, tudo isto num "quadro" de reorganização dos ditos activos e participações. Quando chegou a hora da venda das acções, a compradora francesa já tinha uma outra empresa chamada Águas Profundas (e bem profundas, diga-se), criada pela  Engie após o anúncio da venda. Ou seja, a Engie comprou, a EDP vendeu e os Anjinhos somos nós, os que cumprem.

A provar-se a tal engenharia com o apoio da lei criada para o efeito, é caso para pedir a reorganização dos activos, que são no caso o presidente da empresa e o ministro das Finanças, substituindo-os por outros géneros mais respeitadores das obrigações a que todos estamos sujeitos.


terça-feira, 9 de março de 2021

CHAMAM A ISTO ASSOCIAÇÃO?

 

Não me manifesto em coisas de futebol, estou à margem do clubismo e parece-me que é a primeira vez que venho chutar aqui.

Fiquei pasmado ao ler a notícia sobre um sindicato que fez queixinhas de um membro da classe que supostamente deve defender. Isto passou-se no futebol, mais propriamente com a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) e o actual treinador do SCP. Não, não foi por falta de pagamento de quotas, mas tão só porque o sindicato ou associação, na queixa, alega que o treinador não o devia ser e quer ver penalizado o sindicando ou associado com seis anos de suspensão.

Pelos vistos, o treinador não fez o exame final: teste onde possivelmente teria de responder a perguntas dificílimas como mostrar saber a área da baliza, o peso de uma bota de futebol, a distinção entre uma falta com a mão na grande área e fora dela ou identificar quantos jogadores podem ser substituídos numa partida. Ou ainda, porque não teve o tempo de quarentena como treinador-adjunto. Com tantos treinadores com resultados muito atrás deste “perseguido”, os outros não devem ter passado da primeira aula.

A coisa torna-se mais duvidosa quando se sabe que o treinador é, na actualidade, o melhor em Portugal, pelos resultados obtidos e que, tal como ele, já houve outros casos iguais (Paulo Bento, Paulo Fonseca, Sérgio Conceição, Jorge Costa) e que já tinha sido anteriormente treinador principal do SCBraga.  A Associação deve ter visto o caso de Braga por um canudo e não se queixou. Alguém lá na tal ANTF deve sentir algum ratinho a roer-lhe no íntimo.

Esta deve ser daquelas associações que entram no aforismo: “já não sou quem ser soía, mudei qual da noite para o dia”.

Este assunto não tem água que dê pelos peitos do pato, mas vai envergonhar o já esquisito futebol português. E eu, que não sou de panos quentes, com uma associação deste jaez no meu mester, mandava a choldra às urtigas. E se fosse treinador de outro clube, não só por solidariedade mas por convicção, batia com a porta – adeus, associação do caneco!