quinta-feira, 18 de junho de 2020
domingo, 14 de junho de 2020
ELUCIDÁRIO - "Os Miseráveis", de Victor Hugo
Estas "tábuas" fazem parte dos meus apontamentos, escritos e desenhados, a que pus o título genérico de "Elucidário". Embora sejam colocadas, com mais assiduidade, em outro dos meus blogs, de vez em quando virão parar também a este.
Talvez, quem sabe, um dia poderei publicá-las em papel impresso.
Talvez, quem sabe, um dia poderei publicá-las em papel impresso.
terça-feira, 9 de junho de 2020
O CROCOLONTRA
O desconfinamento pandémico parece ter sido
recebido de braços abertos e resultou de tal forma, que até foi avistado no rio
Douro um crocodilo de outro rio, o Nilo, que corre para outros mares bem longe
dali. Ora, ora, de mais longe veio o Corona e chegou atá aqui! Será mais um
motivo para os passeios turísticos no Douro, se acaso se confirmar que é mesmo
um réptil com o peso de um quarto de tonelada. E um perigo para quem por ali
faz a sua vidinha, pois o réptil, apesar de figurar como logo de uma marca de
t-shirt’s, não é para graças!
Isto, segundo as notícias, ocorreu no Douro
espanhol, ali perto de Simancas. A crer-se na vista apurada de quatro
testemunhas espanholas – que não usarão óculos nem levariam máscaras para os
embaciar – o bicho estaria com poiso certo entre o rio Pisuergo e o Douro e
seria levado para ali com a finalidade de meter medo ao medo.
Como mais ninguém lhe pôs a vista em cima – só a
vista porque com 250 kg. não se deixava cavalgar – há quem diga que é uma mais acanhada
e modesta lontra, o que torna o caso sem lugar a notícia.
Sabe-se, no entanto, que do Nilo até ao Douro, não
vinha o crocodilo a quatro patas; e que, para ganhar aquele peso, não andaria
pelos restaurantes confinados do lado de lá da fronteira ou a banquetear-se nos
galinheiros das aldeolas. Por isso, creio que possa ser uma lontra e que os “avistadores”
devem ser encaminhados para uma consulta óptica ou, simplesmente, com direito a
quatro ingressos graciosos num jardim zoológico.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
O SÃO TOMÁS DE INGLATERRA
Há no reino Unido um senhor chamado Dominic Cummings que
lutou pelo confinamento do Reino Unido, separando-o da União Europeia, e tem o
desplante de fazer coro com o seu chefe de fila, Boris Johnson, impondo o isolamento dos súbditos britânicos nesta espécie de
brexit-covid, acabou por ter uma atitude pitoresca e punível. Para mais, ainda desaconselha o contacto de netos com os avós,
como aliás se passa por todo o mundo, por prevenção, mas arejou a prática e fez o contrário do que recomendou.
O que fez então o Dominic para me fazer perder tempo com
ele?
Ora, precisamente o contrário do que exigiu aos ditos súbditos
de Sua Majestade. Em pleno confinamento, este assessor de Boris, afectado e
testado positivo para o Covid 19 (e a
mulher também), viajou com a esposa 400 km até casa dos pais para entregarem os
filhos à guarda dos avós. Nem sequer os 7 dias de isolamento, sem saídas sequer
para comprar bens essenciais, exigidos pelo seu Governo, ele cumpriu. E vêm
estes anglo-saxónicos exigir 14 dias de quarentena a todos os que entrem nas
ilhas britânicas?
Sendo assim, o homenzinho fez como S. Tomás, naquele dito
que o povo conhece – faz o que ele diz e não o que ele faz. Isto quer dizer que
o Reino Unido tem, de facto, o seu St. Thomas, que se pronuncia como “tomas”,
tal a expressão que acompanha o manguito do Zé Povinho.
domingo, 24 de maio de 2020
NO TEMPO EM QUE O VÍRUS NÃO ERA ESTE
Ao procurar um livro na minha estante, encontrei esta edição de Cesário Verde, na qual participei como ilustrador da capa e contra-capa.
Por solicitação do editor (MEL), fiz este trabalho em aguarela, em 2001, para um volume de 232 páginas, cartonado e impresso em papel creme de boa gramagem. O conjunto destas duas ilustrações foi também impresso nas guardas da capa e contra-capa, numa montagem com um dos manuscritos do poeta.
Numa altura em que, por motivos de saúde não se permitem ajuntamentos e se propõe guardar as distâncias entre as pessoas (e bem), o desenho que fiz para a contra-capa pretende corresponder ao convívio que a poesia de finais do séc. XIX pretendia dar, sem confinamento, sem máscaras.
A questão que coloco - e talvez Bandarra soubesse vaticinar - será para saber até quando estamos sob a ameaça deste Covid, o qual parece não apreciar o "convívio" humano. Talvez, pensando melhor, se calhar até aprecia, para passar de uns para outros e contagiar. Se o destino do micróbio neste drama não é um fadário, o nosso, é.
Uma vez que falei no livro, imponho as imagens dessas
ilustrações, designadamente a que saiu na contra-capa com uma estrofe da poesia
"De Tarde" do "Livro de Cesário Verde", sobre um pic-nic.
sexta-feira, 15 de maio de 2020
“DESCONFIAMENTO”
“Desconfiamento” é uma palavra que utilizei à revelia dos
dicionários da língua. Não existe. Nem na wikipédia, que tem de tudo e mais
alguma coisa; tão pouco na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, a mais
credível e também a mais desactualizada de todas. Por isso a coloquei entre
aspas. Mas soa, nesta altura de Covid 19, à semelhança fonética de desconfinamento.
O Windows Word, em português, também traceja o erro a vermelho, ora essa! Mas também o faz com desconfinamento, estão empatados os dois termos.
Ao tentar saber o que diz o professor Google, obtive como
resposta uma interrogação: “será que quis dizer discernimento”?
Desconfiamento é acção de desconfiado, tanto como desconfinamento o é de desconfinado; ou seja, o contrário do sentido de confiado
e confinado, respectivamente.
Neste caso, sugiro que o “desconfiamento” entre nos
dicionários.
Vem isto a despropósito do propósito que me leva a utilizar
o termo, para já impróprio. E que é a situação a que levou o desconfinamento na
política ao mais alto nível. Desconfiam uns dos outros, embora mostrem que têm confiança. Deve ser o efeito do uso da máscara.
Por entre as máscaras de protecção vírica (mais um
sublinhado a vermelho, o que não acontece com vínica), tanto o
Primeiro-Ministro como o Presidente da República juntaram críticas ao até agora
poderoso Ministro das Finanças. E logo a ele, o que domina os números com a
habilidade com que o Ronaldo domina a bola.
Depois de uns amuos e ameaças veladas, com umas reuniões, muito comuns em semelhante indústria, uns toques de telemóvel e uns sorrisos (já sem máscaras, porque estas não permitem nem um arreganho),
a coisa compôs-se, para já. Crispação, há, semelhante à do lobo que assalta o redil. O que quer dizer que o desconfinamento traz consigo
o desconfiamento.
Pensando bem, aquela interrogação do professor Google faz sentido: perante tanto desconfiamento, não será que queremos mais discernimento?
E, reparem, ainda a procissão acabou de sair as portas do
templo e só ainda prossegue no adro.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
BOA ATITUDE DO GOVERNO
Já devem saber aqueles que me conhecem e os que
frequentam, assídua ou casualmente, este blog, que não me privo de criticar
este Governo português, liderado pelo Dr. António Costa. Nesta questão de
comentar as atitudes negativas, pois o faço com frontalidade, tenho sempre em
mente a liberdade e a responsabilidade de o fazer com argumentos que, na minha
opinião, são válidos. Nesta equidistância da vida política partidária e dentro
do mesmo espírito livre, chegou a vez de enfatizar o papel do Governo português
e do seu líder.
Em todo o processo do COVID 19, dadas as
circunstâncias da ciência médica perante um vírus desconhecido, o Governo de
António Costa agiu com senso, atempadamente e mostrou grande poder de decisão,
na maioria dos casos com grande sentido de Estado e da Saúde Pública.
Devo enfatizar este pormenor. É certo que o
Presidente da República foi um grande esteio e que o partido maioritário da
Oposição colaborou, não causando entraves nas grandes decisões, mas António
Costa trabalhou bem, de tal forma que os resultados são conhecidos a nível
nacional e internacional.
Sinto satisfação por as coisas terem corrido bem,
dadas as contingências, igualmente graças ao sentido de responsabilidade
democrática do povo português.
Como crítico do Dr. António Costa e do seu governo
em casos pontuais, que tenho aqui registados, é com satisfação que também
agradeço os resultados do seu labor ao enfrentar esta crise pandémica:
obrigado, Dr. António Costa.
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