segunda-feira, 16 de agosto de 2021

DESAPARAFUSADOS E PUSILÂNIMES

Sobre o que se está a passar no Afeganistão, que é efectivamente mais uma derrota dos Estados Unidos da América, só tenho a dizer que nenhum povo pode verdadeiramente confiar nas contradições dos seus presidentes. Criaram uma  situação para resolverem uma vingança, saem quando esta se encontra fria e já não vai à mesa dos seus interesses.

Pensei que depois de Trump, aquele que nos pareceu desaparafusado, não podia aparecer nada pior. Enganei-me. Este parecia ser sensato - e provavelmente até é - mas também se afigura ser pusilânime.

Entre desaparafusados e pusilânimes venha o Diabo e escolha qual prefere, porque os Talibâs já têm a sua preferência.

sábado, 31 de julho de 2021

A MEMÓRIA RAM

Toda a gente já deve ter ouvido falar na Memória RAM, uma particularidade tecnológica na órbita dos computadores. O acrónimo inglês Random Access Memory tem o equivalente a Memória de Acesso Aleatório, termos que não aquecem nem arrefecem ao vulgar dos usuários, os quais apenas lhes interessa que a máquina corra como um Fórmula 1, sem os riscos da pista. Por isso, adquirem acessórios ou computadores de raiz com RAM de muitos Gigas (não confundir com a giga dos marrecas ou corcundas).

Pois é! A memória do povo também funciona como a RAM das máquinas da era informática. Só funciona quando o assunto vem à tela  - melhor, à baila - como é o caso das já passadas tropelias políticas, gamanço no erário público, negociatas, tramas de faca e alguidar, arranjinhos, falcatruas e trapalhadas com outros conteúdos. Passado o tempo em que os média têm o assunto aberto, a coisa vai para o arquivo e lá fica até se reabrir o ficheiro. Por vezes, nem reaberto é.

Atendendo a essa particularidade cerebral, casos bem gritantes passaram ao olvido, como é disso exemplo o caso da governação Sócrates, cuja passará com o apelido do primeiro-ministro ao ponto de só ser lembrado o filósofo ateniense. Devido também a essa característica humana - e bem portuguesa - não raro vemos o actual primeiro-ministro, perante casos de gravidade governativa própria ou da equipa, remeter-se ao silêncio, à espera que a RAM faça o seu trabalho com assuntos que se sobreponham a esses.

Ainda ontem, por exemplo, ouvi um ex-ministro do tal Sócrates queixar-se da investigação ao caso judicial que o traz pendente, a qual  dura há 10 anos e assuntos da (des)ordem criminal  que rondam os 15. Ora, será que ninguém lhe disse que a memória RAM do povo só o está a favorecer, no caso de ter culpas no cartório?


segunda-feira, 26 de julho de 2021

O DONO DOS SEGREDOS DISTO TUDO

Não deixo de ficar perplexo com o descaramento de quem se diz que disse ser "o dono disto tudo". O homem livra-se de comparecer em tribunal ao abrigo de uma lei que o livra por ter mais de 70 anos e correr o risco de apanhar o vírus na sala de audiências. Mas já não corre risco algum se acaso se passear na Sardenha, como já se viu, como um turista, sem máscara, porque supostamente na Sardenha nem "conhecem" o vírus.

Enquanto esta contradição se passa sob as barbas do povo, a Justiça cofia a própria barba e parece que aos "costumes diz nada".

O "dono disto tudo", parece também "controlar isto tudo". Até o vírus controla ou, pelo menos, serve de referência para controlar a ausência nas salas onde o Covid anda à solta e permite que ele ande despreocupado na estranja com o vírus a fugir dele a sete pés.

Que segredos manterá em segredo aquele que mais me parece ser o "dono dos segredos disto tudo"?

quarta-feira, 21 de julho de 2021

MINISTÉRIOS NO FEMININO

Devo esclarecer que a crítica ou a alusão mais depreciativa que faço no blog, não é devida a qualquer má vontade ou oposição partidária, sendo certo que, para mim, o Poder está mais sujeito ao sufrágio da censura. Isto não quer dizer que o aplauso não possa ser aberto a quem governa, no caso de, no modesto entender e percepção do comentador (que, ao caso, sou eu) esteja a fazer um bom ou óptimo trabalho.

Dito isto, quero enfatizar dois nomes deste Governo que sobressaem pela positiva e pela boa governação, tanto mais que o fazem num período muito difícil para as duas pastas que ministram. São o caso da Ministra da Saúde, Dra. Marta Temido, e o caso da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Dra. Ana Mendes Godinho.

Tanto um como outro destes ministérios estão numa fase crítica pela situação criada pela pandemia, talvez até dos períodos mais difíceis desde 1974 (para só citar o período democrático). No que toca à pasta da Saúde, ninguém duvidará que tem sido das mais exigentes, tanto mais que se observa, a nível mundial, um constante estudo e aperfeiçoamento das medidas que resultam da ciência médica e epidemiológica.

Ambas as ministras - com ainda maior aplauso e agradecimento à da Saúde - têm conseguido trabalhar com afinco, atenção e cuidado, colocando no prato da balança o contrapeso que procura equilibrar os erros e partes gagas de outros ministérios, alguns muito mal geridos.

Eu tinha que escrever isto, a minha consciência cívica, o meu dever de cidadania, impunham-no. Perante este quadro, quer-me parecer que se existem quotas de género que obrigam ao equilíbrio e impõem mulheres na administração, para além de se tornar mais natural que a competência não tem género, não sei se a inversão, pelos vistos, não seja mais curial - quotas para o género masculino; principalmente quando haja representação equivalente e manca como a do actual ministro da Administração Interna.


segunda-feira, 19 de julho de 2021

OS ACELERAS

 

No que toca a pôr o pé no acelerador, não há "pai" para este Governo; pelo menos para os dois amigos, com as mesmas iniciais de apelido - Costa e Cabrita. Poderão os habituais defensores dizer que não iam eles ao volante, e eu acredito. No entanto, iam no carro, são eles que mandam e controlam, pelo menos com exigência de mais cuidado e responsabilidade, se souberem o que isso é.

Supõe-se que Cabrita ia pelos 200 km/hora na altura do acidente, mortal para um trabalhador da estrada. Supõe-se que Costa ia à mesma velocidade, porventura a pensar na bazuca. E isto de supor tem a sua razão de ser: os radares-tesouraria à beira das estradas estão lá só para apanharem o pagode-pagante, o zé-ninguém, o "tuga", enfim o cidadão "vulgar de Lineu". Quanto ao risco de circular a esta "mecha", que num dos casos até "voava" no alcatrão com um carro apreendido, não parece contemplar estas criaturas; só há risco quando o cidadão que não governa, como eu, passar os 120 km/h na auto-estrada.

Da impunidade de Cabrita, nem vale a pena falar. Está protegido. Da impunidade de Costa, que também está protegido, quer a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M)  saber se as forças policiais detectaram o carro de António Costa na A1 a circular a 200 km/h. Podem esperar sentados.

Não estará esta gente à beira de dar lugar a outros? Como diz o povo: o que há-de ser ao tarde, que seja ao cedo.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

O NOSSO ESPIÃO EM LISBOA

Li isto, sem acreditar. A Câmara Municipal de Lisboa passou para a embaixada da Rússia os nomes recolhidos de três promotores de uma manifestação de apoio a um opositor de Putin. Fizeram isto, segundo se diz, ao abrigo de um decreto de 1974 e como preenchimento de uma tarefa que incumbia aos governos civis até à sua extinção. Mas foi só a Câmara de Lisboa, segundo consta.

Como se não bastasse o frete de espionagem feito a favor da Rússia (que nem precisa de espiões por aqui), a coisa multiplicou-se pela informação completa relativa aos activistas e responsáveis por movimentos contra as "democracias" da China, Venezuela, Israel e nem sei mais quais.

Chamam a isto "protecção de dados"? Só se for aos dados com que se joga o póker!

É claro que se pede desculpa do "erro" repetido, como também se torna claro o clamor silencioso do primeiro-ministro, cujo se esconde no meio da banda partidária do poder, enquanto esta toca a sinfonia de apoio ao maestro e ao desafinado que estraga a partitura.

Há demissão do responsável chefe do executivo? Não, porque a coisa terá passado (vão ver!) por um contínuo da secretaria; e homens com carácter como o do Dr. Jorge Coelho, contam-se pelos dedos.

As "democracias" que receberam o bónus da informação poupam em espionagem. Os espiões nem são precisos em Portugal, porque há por aqui quem faça o serviço a título gratuito, presumo eu.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

O AMIGO

 

Não há duvida alguma, da minha parte, quando digo que o primeiro-ministro António Costa é verdadeiro amigo do seu ministro da Administração Interna. Já a minha apreciação – dirão subjectiva, mas é minha – de que o sr. ministro da Administração Interna não me parece amigo do primeiro-ministro sr. António Costa. Sempre ouvi dizer que “amigo não empata amigo”. Não é o caso – este, empata.

É difícil compreender, perante tanto disparate junto, que se mantenha aquela confiança toda. Para mais, o ministro em causa produz afirmações indigestas, com alto teor calórico, ao ponto de dizer de um partido que se trata de um náufrago ou comparar o microfone utilizado em reportagens e entrevistas com as golas inflamáveis para ataque a incêndios.

Não será ele próprio um náufrago, incapaz de dar umas braçadas, em vez de se agarrar à bóia que o segura à tona? Não saberá ele do grande gesto político e administrativo que teve o então ministro Jorge Coelho, exemplo de grande personalidade como homem de Estado?

Costa não admite a passagem de testemunho por parte de Cabrita, como se o homem fosse perpétuo no ministério e não aquele que é useiro e vezeiro em meter os pés pelas mãos. Talvez nem seja por pura amizade, mas por desgaste que causaria na equipa estar a mudar a meio do jogo, mesmo quando o grupo fica a perder por inoperância do jogador.

Na última situação junto ao estádio de Alvalade e na rotunda do Marquês, o ministro não assume qualquer responsabilidade da pasta, não prevenindo de cima o amontoado de pessoas em pleno estado de calamidade, mas permitindo (ao que parece) uma intervenção policial tardia e musculada, que nada resolve, a não ser umas cabeças rachadas e nódoas negras. Só faltou colocar os tanques nas ruas.

O sr. António Costa é daquele género de pessoas que contra-argumentam com base na comparação positiva; ou seja, se aprecia um jacaré e lhe dizem que o bicho tem uma boca enorme, contraporá que maior boca ainda tem o hipopótamo.